O biotecnólogo é o profissional que estuda as reações químicas que ocorrem nos seres vivos, auxiliando a medicina na fabricação de remédios, soros e exames laboratoriais. Eles analisam microorganismos, observando as reações destes corpos em contato com o meio ambiente ou com substâncias das mais variadas, para a produção de derivados de células cultivadas para a purificação do material genético. Desenvolvem produtos a partir de suas pesquisas, nas indústrias das áreas médicas, de bebidas e alimentação e com uma maior preocupação com a ecologia, seu trabalho passou a ter bastante importância na preservação de rios, lagos, mares e florestas.
Para ser biotecnólogo, é preciso ter interesse pelo funcionamento e reações químicas que ocorrem nos organismos vivos. Além disso, é importante que o estudante apresente as seguintes características:
Para se tornar um biotecnólogo, é necessário que o estudante preste vestibular selecionando a opção Biotecnologia - Bacharelado, que tem duração média de quatro anos. Durante o curso, o aluno aprenderá técnicas de preparo e incubação de células animais, vegetais e de microrganismos, técnicas de biologia molecular e celular e aplicar metodologias de manejo, organização e segurança de laboratórios biotecnológicos. Além disso, conhecerá os métodos de identificação, caracterização e separação de biomoléculas, assessorando e executando projetos de pesquisa, produção ou serviço de biotecnologia.
O biotecnólogo, em suas áreas de atuação, tem as seguintes funções:
As áreas de atuação do biotecnólogo se dividem basicamente em duas: pesquisa e desenvolvimento e produção industrial. Na área de pesquisa, o profissional desenvolverá novas técnicas que auxiliarão o trabalho dos médicos e bioquímicos no acompanhamento, análise, produção e manutenção de colônias de microrganismos vivos. Colaboram também no controle da qualidade dos alimentos industrializados e exame de matérias-primas utilizadas na fabricação através de análises bacteriológicas. Na indústria, o biotecnólogo atua com a produção de sementes e princípios ativos, além da fermentação alcoólica do açúcar e álcool (na agroindústria), trabalha com ácidos orgânicos, adoçantes e aditivos da indústria química, na farmacêutica, com produção de vacinas, soros e antibióticos, e também, nas indústrias de papel e celulose com a produção de lignina (substância que dá consistência à madeira) para o reflorestamento. Também auxilia na produção de queijos e vinhos, além da mais recente área de atuação de alimentos transgênicos (geneticamente modificados para apresentar algumas características que beneficiem seu uso pelo consumidor, como por exemplo, adição de proteínas, vitaminas e minerais).
No Brasil, o setor ainda é
pouco explorado, contando com apenas cerca de 300 empresas de biotecnologia. No
entanto, segundo especialistas e empreendedores, o futuro é promissor e
há uma grande demanda por profissionais. Assim, o mercado para o biotecnólogo
está em constante expansão, pois esta é uma das áreas
do conhecimento que vêm alcançando grandes avanços tecnológicos.
Estão em alta as indústrias de bebidas, alimentos (com a expansão
dos transgênicos) e medicamentos, além do setor de fertilizantes,
que ganharam novo impulso devido à preocupação com o uso
de agrotóxicos que podem prejudicar a saúde. Com isso, nesta área,
a atuação do biotecnólogo é buscar soluções
que minimizem os riscos da utilização destes implementos químicos
e o apoio da Justiça em relação à análise de
legislação de patentes e a bioinformática (produção
e gerenciamento de banco de dados biológicos) é fundamental para
o surgimento de novos mercados para o profissional.
No caso da opção
por ministrar aulas em cursos de graduação, o mercado que mais absorve
este profissional é o superior, com foco em estudos acadêmicos que
desenvolvam novos conceitos nas áreas farmacêutica e alimentícia,
contribuindo para o mercado de trabalho no desenvolvimento de novos produtos e
elaboração de remédios eficazes.
Para 2006 e 2007, a intenção
do Governo federal era investir R$ 25 milhões em projetos de pesquisas,
mais de três vezes os R$ 7,5 milhões aplicados em 2004 e 2005. Recentemente
a Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes) criou uma comissão temática para instituir a biotecnologia
como uma área do conhecimento assim como biologia, medicina, física,
educação, entre outras. Sem dúvidas, a contribuição
e incentivo do governo serão sentidos em todos os setores de atuação
do biotecnólogo.
A aplicação da biotecnologia
teve seu início com os processos fermentativos, cuja utilização
é anterior ao início da era Cristã, com a produção
de bebidas alcoólicas para fermentação de grãos e
cereais, conhecida pelos sumérios e babilônios antes do ano de 6.000
a.C. Mais tarde, por volta do ano 2.000 a.C., os egípcios, que já
utilizavam o fermento para fabricar cerveja, passaram empregá-lo também
na fabricação de pão, além de outras produções
como a produção de vinagre , iogurte e queijos são foram
sendo descobertas ao longo do tempo.
Entretanto, não eram conhecidos
os agentes causadores das fermentações que ficaram ocultos por seis
milênios. Somente no século dezessete, o pesquisador Antom Van Leeuwenhock,
através da visualização em microscópio, descreveu
a existência de seres tão minúsculos que eram invisíveis
a olho nu. Aproximadamente 200 anos depois que Louis Pasteur, em 1876, provou
que a causa das fermentações era a ação desses seres
minúsculos, os microrganismos, caindo por terra a teoria , até então
vigente, que a fermentação era um processo puramente químico.
Posteriormente
, em 1897, Eduard Buchner, demonstrou ser possível a conversão de
açúcar em álcool, utilizando células de levedura maceradas,
ou seja, na ausência de organismos vivos.
Durante a Primeira Guerra Mundial,
a Alemanha, que necessitava de grandes quantidades de glicerol para a fabricação
de explosivos, desenvolveu um processo microbiológico de obtenção
desse álcool, tendo produzido 1.000 toneladas do produto por mês.
Por outro lado, a Inglaterra fabricou em grande quantidade a acetona para munições,
tendo essa fermentação contribuído para o desenvolvimento
dos fermentadores industriais e técnicas de controle de infecções.
A partir de 1928, com a descoberta da penicilina por Alexandr Fleming, muitos
tipos de antibióticos foram desenvolvidos no mundo, sendo que na década
de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, eles passaram a integrar os processos
industriais fermentativos, principalmente nos Estados Unidos.
Foi, todavia,
a partir da década de 50 que a biotecnologia, com a descoberta da síntese
química do DNA, passou de fato a existir como é conhecida atualmente.
A técnica do DNA recombinante envolve a criação sintética
de novos organismos vivos, com características não encontradas na
natureza, formadas pela hibridização em nível molecular do
DNA. Essa técnica permite, por exemplo, o enxerto de genes humanos que
determinam a produção de insulina em um microrganismo. Isso leva
a produzir a industrialmente insulina humana, substituindo, com grandes vantagens,
a insulina bovina ou suína empregadas no tratamento de diabéticos.
Atualmente é crescente o ritmo de desenvolvimento do setor, mantendo,
inclusive, uma acentuada relação de interação com
diversos outros setores da ciência e tecnologia tais como: biologia molecular,
fisiologia, microbiologia, engenharia química, engenharia ambiental, etc.
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