Tomás
ChiaveriniQuando estava no 3° colegial, fiz uma viagem a um assentamento dos Sem-Terra, em Sumaré, interior de São Paulo. Foi uma época de grande conflito entre o MST e o governo. Lá observei que a imprensa era um pouco parcial sobre o tema e senti vontade de escrever e contar mais sobre esse assunto. Já tinha o jornalismo como uma possibilidade, mas foi a partir dessa viagem que tive certeza.
A rotina de um jornalista é puxada e muito variada, tem dias que posso ficar o dia inteiro na rua atrás das informações, outros passo a maior parte do tempo fazendo pesquisas na internet ou ao telefone, ligando para as pessoas em busca de mais informações. Na maioria das vezes temos prazos curtos e nesse tempo temos que fazer pesquisas, preparar a matéria e passar para o redator. Um dos maiores complicadores da nossa profissão é o fato de que grande parte do trabalho depende de entrevistas com pessoas que têm de se dispor a nos atender e fornecer as informações necessárias. Isso torna o planejamento do trabalho muito mais difícil. Mas hoje, como trabalho na parte de suplementos do jornal Folha de S.Paulo, onde as matérias são semanais, tenho um prazo maior para preparar os textos.
É quando vejo que produzi um bom texto, gostoso de ler e que teve um boa resposta do leitor. O que me traz muita satisfação também é perceber quando um texto trouxe algum retorno social, uma função importante do jornalismo e que, muitas vezes, é posta de lado em nome de outros fatores diversos.
Gostar de ler e saber escrever. Claro que não precisa ser um Machado de Assis, mas saber usar as ferramentas da escrita é fundamental. Além disso, ser curioso e ter interesse por áreas diversas também ajuda.
Hoje o espaço para reportagens tão sonhado por muitos que buscam essa profissão, é cada vez menor e está na mão de poucos. É bem difícil criar um espaço no mercado que permita ter liberdade de ir atrás do que achamos realmente interessante.
Varia muito, tem aqueles poucos que ganham como astros de Hollywood e tem aqueles que ganham bem menos. Mesmo nos jornais diários ocorre uma variação grande de salário. Mas, de qualquer forma, acredito que quem é bom e sabe se colocar no mercado acaba sendo bem remunerado mais cedo ou mais tarde.
O momento que mais me marcou foi quando, recém-formado, vi minha matéria publicada na revista Carta Capital, sobre uma viagem humanitária da força aérea que acompanhei na Amazônia.
No momento que estou não, mas isso não é uma regra para o jornalismo. Essa carreira exige muito tempo e dedicação do profissional. Estar o tempo todo à disposição, trabalhar de madrugada, fazer plantões nos finais de semana, etc.
O excesso de informações principalmente causado pelo avanço da Internet vem trazendo uma série de mudanças na forma de se fazer jornalismo. Percebo que as grandes reportagens ficam nas mãos das grandes agências, há uma centralização da informação em alguns setores. Por outro lado, há uma quantidade de informação absurda que tem de ser gerada e transmitida cada vez mais rápido. E essa velocidade para buscar as informações têm que ser muito maior, a corrida pelo furo é tão grande que muitas vezes a informação chega sem ter passado pelos filtros e cuidados necessários.
Leia muito, se informe. Ter cultura ampla às vezes é mais importante do que ter apenas uma formação universitária sólida. Além, disso é pré-requisito para a área dominar pelo menos um segundo idioma. Mas, o mais importante mesmo é ampliar a cultura. Leia jornais, revistas, livros, vá ao cinema, ao teatro, a shows e invista nas áreas do conhecimento que te interessam.
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