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08/10/2010

Vivendo no Exterior (Parte 2) – Os “Três” Lados da Moeda

 

Antes de começar esta segunda parte do artigo — clique aqui para ler Part 1: Vivendo no Exterior - O Lado Bom — queria mencionar que minha experiência vivendo no exterior tem sido extremamente positiva.  Mas existem momentos difíceis em que questionamos nossa decisão, nos sentimos deprimidos, solitários e sob pressão.  Isto vai variar dependendo da situação de cada pessoa, mas de qualquer forma conhecer os vários lados da experiência nos ajuda a preparar para as possíveis consequências da decisão que tomamos.
O Lado Ruim

  • Período de transição: os primeiros meses são de lua de mel.  Tudo é interessante e você está na fase de descoberta.  No entanto, mais cedo ou mais tarde a vida volta ao normal e coisas que você nunca reparou começarão a incomodar.  Resistir a mudança é natural ao ser humano e adaptação ao novo leva tempo, o que pode ser uma enorme fonte de frustração.
  • Saudades da família e amigos: você pode sentir saudades da comida, da língua, mas nada se compara à vida longe da família e amigos.  Desde as coisas práticas, como ter alguém para ficar com as crianças quando você quer sair, até algo mais filosófico como conviver com alguém que conhece a sua história e o seu passado, o que me leva ao próximo tópico.
  • Sentimento de perda de identidade: nossa história está em nossas memórias, imagens, vídeos, etc.  Mas uma parte importante ficará na memória das pessoas com quem convivemos.  Normalmente nos reunimos com amigos para compartilhar estórias e muitas vezes eles vão lembrar capítulos da nossa vida que até nós mesmos havíamos esquecido.  Após algum tempo há também o fenômeno de não pertencer a lugar nenhum.  Você ainda não se sente parte de onde está e quando volta para visitar já não se sente parte daquele lugar tampouco.  Lugares e pessoas mudarão enquanto você estiver fora.
  • Provação: quando você chega a uma empresa no exterior certamente irá colocar alguma pressão sobre si mesmo.  Você vai sentir uma necessidade de provar que mereceu algo que poucos conseguirão.  Isso gera algum estresse que pode ser ainda maior devido a curva natural de aprendizado para se adaptar a uma forma de trabalho e valores diferentes.  Poucas pessoas no mundo corporativo estão preparadas para reconhecer estes sinais de estresse e ajudar na adptação de um estrangeiro a nova cultura, ou a explorar as diferenças para ser bem sucedido.

O Terceiro Lado

  • Discriminação: no Brasil sempre lutei contra a discriminação de qualquer espécie.  Mas o detalhe é que sempre fui parte da “classe dominante” e nunca havia sentido a discriminação na própria pele.  Quando mudei, me senti pela primeira vez como um estranho.  Em algumas situações você será realmente discriminado e algumas vezes será apenas sua imaginação, em um mecanismo de auto-defesa.  Ainda me intriga a forma com que algumas pessoas vão reagir negativamente com relação a outros que nem conhecem e nunca conversaram, baseado apenas na raça, cultura ou aparência física.  Mas reconheça que discriminação pode acontecer dos dois lados e seja honesto consigo.  Lembre-se: diferente não é ruim, é apenas diferente.
  • Gerenciar os sentimentos do cônjuge (obviamente não é aplicável a todos): está provado por pesquisas que o maior motivo de falha quando se tenta viver no exterior está relacionado com a adaptação do cônjuge.  Assim como você, ele ou ela deixou tudo para trás: família, amigos e casa.  No entanto, ele ou ela não tem um trabalho como você para poder se socializar.  Este sentimento de solidão pode se tornar realmente perigoso e aumentar ainda mais a tensão.
  • O que estou fazendo aqui?  Muitas vezes você irá se perguntar.  Você pensa: minha família está longe, meus amigos estão longe, as pessoas aqui não entendem meus sentimentos, meu chefe não parece apreciar o meu trabalho, meu cônjuge não está feliz, não estou certo de que esta é a cultura na qual quero criar meus filhos, meus filhos não têm contato com parentes, etc.  Por isto você terá que ser capaz de responder com segurança “o que estou fazendo aqui”,  antes de deixar seu país e permanecer convicto de que é a melhor opção.  Lembre-se sempre do motivo pelo qual você tomou esta decisão, mas verifique constantemente de que continua compatível com suas prioridades na vida.
  • Pré-conceitos sobre nosso país: a maioria das pessoas no exterior tem uma imagem pré-concebida sobre seu país.  Se o país é conhecido internacionalmente pela corrupção, violência, falta de direitos humanos, carnaval, etc, as pessoas tendem a transferir estas imagens para imigrantes daquele país.  Sei que não é justo mas é fato.  Muitas vezes vai levar um bom tempo somente para superarmos estes preconceitos e sermos reconhecidos pelo que realmente somos como indivíduos.

Continuação no próximo blog... mais detalhes sobre cada lado.  Fique ligado!
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Vinicius da Costa é Diretor Associado, Colaboração e Mídia Social na Kraft Foods. Seus textos representam seu ponto de vista pessoal e não a opinião da Kraft Foods, Inc.

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