Você já viu esse comercial de TV onde uma pessoa, que eu acredito ser um gerente, fala com uma pessoa do RH: "Nós precisamos da experiência dessa pessoa", enquanto a imagem mostra um cara com cabelos grisalhos, "mas com a energia daquele", quando então mostra o mesmo cara agora com cabelo completamente escuro! O candidato, em seguida, aplica um produto que deixa o seu cabelo meio caminho entre completamente escuro e completamente grisalho, o que naturalmente o faz conseguir o emprego. Então o que é mais importante, a aparência ou o que realmente somos?
No início do ano participei de um seminário sobre primeira impressão. O evento foi coordenado e promovido por grupos de diversidade. Segundo o orador convidado, as pessoas formam uma opinião sobre você em cerca de 7 segundos. Este é o tempo que você provavelmente levou para ler este parágrafo. Sim, é isso mesmo! E para provar seu ponto, havia um folha com inúmeras características humanas a nossa frente sobre a mesa. Ela nos pediu para lembrar de uma pessoa que reparamos quando chegamos, mas alguém que não conhecíamos. Pediu então que marcássemos no papel as características que nós achávamos que essa pessoa tinha. Ela estava certa. Você pode definir várias delas após observar ou conversar com alguém por apenas alguns segundos. Coisas como líder, amigável, motivado, energético, detalhista entre outros.
Pois é, a aparência é muito importante. Com justiça ou não, iremos formar uma idéia sobre alguém de acordo com coisas muito subjetivas, experiências pessoais, normas sociais, etc. Imagine isto: você está assistindo ao jornal e o âncora está com seu cabelo completamente desarrumado como se tivesse acabado de acordar, sem barbear e com uma camisa amarela tipo havaiana desabotoada. No entanto, sua postura é profissional, ele é articulado e a notícia parece ser séria. Ainda assim, se nunca viu essa pessoa, você diria que é alguma piada e provavelmente teria dificuldade em acreditar no que ele estava dizendo.
O fato é, se você não atende às expectativas visuais de alguém com relação ao que você deseja alcançar, vai ser um pouco mais difícil receber apoio daquela pessoa. Então perguntei ao palestrante do workshop se: "eu deveria mudar quem eu sou para alcançar um objetivo"? Sua resposta foi: "se você tem um objetivo e o que você é está interferindo, você deve considerar esse ajuste como um passo necessário para chegar lá". Ao que eu respondi respeitosamente que discordava.
Mas infelizmente eu não posso discordar que a conformidade com uma imagem geralmente aceitável faz a vida mais fácil, embora provavelmente menos espontânea e talvez menos feliz. Esta é uma situação particularmente difícil quando você enfrenta diferenças culturais. Enquanto existem características que podem ser quase universalmente aceitas, há muitas que não são.
Eu acredito que é uma decisão individual que deve ser tomada da seguinte maneira: se o que você terá que mudar para alcançar seu objetivo vai prejudicá-lo pessoalmente, mais do que a alegria que você terá em atingir o resultado, então não mude! Eu acredito que você alcançará seu objetivo de qualquer maneira se você realmente quer.
Eu fui ao médico outro dia e ela me perguntou que idade daria para mim mesmo. Eu respondi algo entre 35 e 40, ao que ela disse: "bem, isso é bom, você se sente mais jovem do que você é, mas mesmo assim você não vai escapar do exame de próstata hoje"! Mais tarde nesse mesmo dia eu estava lendo alguns tweets e me deparei com um do José Simão cujo perfil no Twitter diz "e eu não tenho 66 anos de idade. Eu tenho 18 com 28 anos de experiência". Eu pensei que esta frase refletia muito bem como eu me sinto e quem eu sou: 18 anos com 24 anos de experiência. E como um benefício adicional, esta provavelmente é a melhor resposta ao dilema experiência versus energia do comercial de tinta para cabelo, já que no meu caso não há muito para ser tingido. Neste caso, qual seria então a primeira impressão que eu passaria?
Vinicius da Costa é Diretor Associado, Colaboração e Mídia Social na Kraft Foods. Seus textos representam seu ponto de vista pessoal e não a opinião da Kraft Foods, Inc.
Executivo de TI com 20 anos de experiência em liderança e gerenciamento de pessoas, Vinicius da Costa trabalhou para PepsiCo durante 10 anos na área de aplicações para Operações, Manufatura e Supply Chain, e nos últimos 10 anos está na Kraft Foods onde foi Gerente de TI para a América Latina, Estratégia Global para TI e atualmente é Diretor Associado para Colaboração e Midia Social. Conheça também o blog Visão do Brasil:
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