Outro dia, levantei muito cedo para mais uma viagem, mais um vôo pelo Brasil. Ainda noite, por volta das 5:15h, entrei no táxi que me esperava. Estava lá o "Seo" Airton. Um bom dia tímido foi o começo da nossa conversa.
Enquanto o taxista contava um pouco de sua longa história, eu comecei a pensar e observar o entusiasmo que ele demosntrava às 5:30h da manhã. Um sujeito alegre, educado, confiante na direção e seguro na sua profissão.
Cheguei ao aeroporto. Paguei, me despedi e agradeci pelo bom humor tão raro em alguém que "madrugou" para batalhar o seu trabalho.
Ainda contente com o começo do meu dia, fui surpreendido com um: "Posso ajudar?". Era um agente (funcionário da Companhia Aérea) que tentava agilizar e dar informações aos passageiros que estavam procurando o balcão certo para fazer o check-in (receber o cartão de embarque).
O próximo profissional estava atrás do balcão com uma indiferença própria de quem não aguenta mais localizar o nome do passageiro, a reserva do assento e depois dizer de forma repetitiva e mecânica a hora de embarque e o portão onde deveria estar o avião.
Antes do vôo, ainda fui a uma livraria, comprar o jornal do dia. O atendimento foi na média. Nada a comentar e/ou a atestar sobre a simpatia do pessoal que atendia.
Em seguida, após a escada rolante, lá estavam mais profissionais à nossa espera. Era a turma do detector de metais e objetos proibidos de serem carregados pelos passageiros. Mais uma vez, naquele começo de dia, fiquei impressionado. Com educação, me pediram para tirar o cinto, que deveria ser o causador do apito da máquina (não é fácil, ainda com sono, tirar o cinto e esperar o resultado). Eles estavam certos. Valeu até um pequeno comentário com risadas. O bom humor estava presente.
Enquanto esperava meu vôo (estava atrasado), escutei diversos avisos de vôos cancelados, trocas de portas, embarque imediato, etc. Mais profissionais estavam ali, trabalhando e certamente fazendo do seu desempenho um fator primordial para que a minha experiência e a de todos que iriam voar, fosse a mais agradável possível.
Lembrei do taxista e da moça do detector... Me emocionei com o exemplo de como ser um profissional com dignidade, respeito, confiança e simpatia. Fiquei com isto na cabeça...
Quando embarquei, fiquei observando o trabalho dos comissários e das aeromoças. Foi fácil distinguir quem era quem. Claramente a gente via e sentia a diferença entre profissionais que fazem o seu trabalho com afinco e aqueles que apenas cumprem mais um vôo, mais um dia, mais um sorriso congelado.
A mesma função... Mas claramente com resultados diferentes.
Uma das aeromoças (todas muito bem vestidas, maquiagem impecável, cabelos milimétricamente arrumados) veio com um sorriso encorajador, oferecendo ajuda a uma senhora que não sabia o que fazer com a bagagem de mão. Este foi só o começo. Esta moça deu uma "aula" de atenção, de empenho e de sinceridade ao tratar e se relacionar com as pessoas.
Novamente fiquei feliz. Admirado. Claro que me emocionei com esta moça. Horas e horas de vôos, sustos e mais sustos, repetidos serviços de bordo, mas mesmo assim, parecia que era a primiera vez que ela atendia às pessoas. Impressionante!
Para me dar mais alegria e me encher de esperança de que somos (nós, maravilhosos seres humanos) capazes de ser profissionais com bom humor e realizar um bom trabalho, o comandante deu um "show" para honrar a sua missão de comandar. Afinal, todos que estavam ali dentro (aproximadamente 160 pessoas), estavam confiando na sua competência e habilidade para fazer com que nosso vôo chegasse muito bem ao seu destino.
Com uma voz imponente, simpática e segura, ele deu as informações sobre o vôo, previsão de tempo de viagem, condições climáticas e etc. Quando encerrou sua "conversa" dava para sentir um certo "alívio" geral... estávamos sendo conduzidos por alguém que entendia e desempenhava o seu papel de comandar de forma acima da média.
Como é bom e importante encontrar profissionais que realmente fazem a diferença em qualquer situação. Parece piegas, mas não é. Eu me emocionei mais uma vez naquele dia.
Acho que quando encontramos esses bons profissionais, a emoção se faz presente. Concluo que no dia-a-dia, se observarmos, vamos encontrar essas pesoas que nos ajudam a viver melhor e com mais alegria.
Vale a emoção!
Um dos mais importantes executivos brasileiros dos últimos 20 anos, Humberto Pandolpho Jr. tem 30 anos de carreira profissional em grandes empresas. Em seu blog no Brasil Profissões, Humberto busca abordar temas atuais, dar sua opinião sobre diversos assuntos polêmicos e discorrer sobre o mercado de trabalho e o mundo profissional.
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