Parece simples, mas não é!
Para alguns é prazeroso, para outros pode ser um tormento. Tudo depende de cada um, das nossas crenças, pensamentos, segurança, otimismo, etc...
Essa história é de dois amigos: Abel e Abílio.
Sempre estudaram juntos. Na lista de chamada, sempre os primeiros:
Abel..... presente!
Abílio.... presente!
Sempre o primeiro e o segundo.
Por força da chamada, se acostumaram sempre a chegar antes. Sendo o primeiro e o segundo, não dava para chegarem atrasados.
Assim sendo, Abel e Abilio eram conhecidos como pontuais para qualquer compromisso.
Ambos decidiram pela carreira na área da Administração de Empresas. Entraram na mesma faculdade, mesma classe... mesma sequência de chamada:
Abel......presente!
Abílio... presente!
Quando chegaram à reta final da faculdade iniciaram aquele famoso processo de tentar encontrar uma empresa para trabalhar.
Todos sabemos o quanto é difícil este momento.
O Abel e o Abílio também tinham noção de que precisavam mostrar seu potencial e "encantar" algum entrevistador do RH.
Chegaram a conclusão de que para fazerem uma boa figura nas entrevistas deveriam estar bem vestidos ou seja, deveriam estar elegantes, trajando um "belo" terno.
Abel e Abílio, neste quesito, tinham convicções diferentes. Também é verdade que, por formação familiar e uma diferença de poder aquisitivo, cada um fez uma programação para comprar o terno.
Abel estava convicto de que a compra de um terno deveria obedecer o "padrão lã 180", risca de giz, com etiqueta italiana.
Já Abílio achava que deveria comprar um terno baseado no preço, no número de parcelas fixas (tipo 12 vezes) e no padrão terno escuro.
Realizadas as compras, eis que ambos se aprontam para a entrevista.... ponto inicial das carreiras.
Sempre "britânicamente" pontuais, Abel e Abílio chegam às empresas para a entrevista. Cada um em uma empresa diferente.
Abel, enquanto esperava, pega uma revista e começa a folhear. Encontra uma matéria sobre moda e tendência. Diziam os textos que os ternos masculinos agora, deveriam ser com 2 botões e não mais os 3 usuais botões. Abel leu e releu: a casa caiu!
O seu terno novo, infelizmente, tinha 3 botões. Ele estava desatualizado. Não seguiu a tendência.
Mas Abel já estava lá. Em poucos minutos se apresentaria ao entrevistador... Começou a tremer. Estava fora de moda (na cabeça dele).
Abel foi chamado. Entrou nervoso, inseguro, sem concetração, Só pensava nos "botões".
A entrevista foi um desastre!
Abel pensou "também... com 3 botões...!"
Na outra empresa Abílio, enquanto esperava, ficou observando o clima das pessoas que passavam pela recepção. Notou que as pessoas se cumprimentavam. Falavam umas com as outras. O clima era "aquecido". Fraterno. Ficou alegre e empolgado. Queria fazer parte deste grupo.
Ao ao ser chamado, estava certo de que ele era a pessoa para a posição que a empresa estava procurando. Estava confiante!
Fez uma ótima entrevista. Foi simpático. Contou suas experiências e espectativas. Convenceu!
E o terno?
Bom, o Abílio usou muito, até achava que dava sorte. Nunca se preocupou com a a lã e o número de botões. Só queria pagar em dia as prestações.
Abel e Abílio ajudam a reforçar o conselho: acredite mais em você e menos nas aparências!
Um dos mais importantes executivos brasileiros dos últimos 20 anos, Humberto Pandolpho Jr. tem 30 anos de carreira profissional em grandes empresas. Em seu blog no Brasil Profissões, Humberto busca abordar temas atuais, dar sua opinião sobre diversos assuntos polêmicos e discorrer sobre o mercado de trabalho e o mundo profissional.
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